A estruturação do velho “tripé” pecuária/algodão/policultura de alimentos
Fatores históricos contribuíram para que a economia do semiárido não se estruturasse a partir de atividades sustentáveis, social e ambientalmente. Assim, o grau de desenvolvimento dessa região resultou inferior ao encontrado em outras regiões do nordeste brasileiro e do restante do País.
A ocupação das terras do imenso espaço semiárido do Nordeste é muito antiga. Celso Furtado mostra que a pecuária extensiva se instalou para atender à demanda por animais do complexo açucareiro cuja alta rentabilidade estimulava a especialização, tendendo a deslocar outras atividades para fora da zona da mata. A renda relativamente baixa que tal atividade gerava (cerca de 5% do valor das exportações de açúcar) advinha da venda de gado para atender à demanda do litoral e da exportação de couro, sendo a produção de alimentos para subsistência um componente importante da base produtiva local. Quando veio a longa etapa de crise do complexo açucareiro a economia do semiárido foi atingida e sua base produtiva se volta para a subsistência (FURTADO, 2007). A chamada “civilização do couro”, como batizou Capistrano de Abreu, se arrastou, assim, por séculos.
Novas tendências na economia do semiárido
O afundamento do velho tripé lançou o desafio de encontrar novas atividades econômicas para desenvolver no grande território semiárido. Uma diretriz que ganhou força foi a da “convivência com o semiárido”. Ela estimulou a busca de alternativas econômicas que dialoguem melhor com as características do bioma caatinga, como a irregularidade das chuvas e a relativa escassez de água, além de solos pouco férteis em grande parte desse imenso território.
Com base nessa diretriz, buscam-se no presente, alternativas como a promoção da cadeia da ovinocaprinocultura. Tanto os ovinos como os caprinos já existiam na vida do sertanejo, mas não era o rebanho dominante. A bovinocultura é que era a atividade principal no latifúndio pecuário. Os demais eram tratados como atividade sem importância ou como “coisa dos pobres”. Nos anos recentes, no entanto, a atividade da ovinocaprinocultura ganhou prestígio e passa a ser tratada como alternativa viável, até porque seu leite, queijo e carne têm crescente aceitação nos mercados urbanos do país.
No semiárido, predominam grandes áreas improdutivas, em termos de agricultura. A intensificação do semi-árido faz com que, áreas de terras secas só produzam palmas. Somente nas áreas de vazante é que se produzem capim e outras culturas dos tipos tomate, banana, etc, mas o pouco que produz, não tem mercados satisfatórios e isto gera um preço baixo. Com os rios, tem-se uma pequena irrigação, que implementa uma produção, em escala maior, e aparece um outro problema, que é a falta de financiamento.
O capital financeiro não está disponível a todo agricultor do semi-árido, tendo em vista serem a maioria dos agricultores produtivos, pequenos produtores que trabalham em terras alugadas, ou de parceria. O crédito bancário exige certa garantia pelo capital alheio, mas o pequeno produtor não tem esse meio de assegurar tal crédito e, desta forma, perde o capital que o ajudará na sua produção. O semi-árido não é composto somente de pequenos produtores, existem também os grandes, entretanto, o crédito lhes é mais fácil. Com esta disponibilidade, esse agricultor adquire e aplica em outros negócios, que não é a atividade do meio rural. Desta forma, a grande extensão de terra só serve para conseguir financiamentos federais e aplicar em atividades particulares.
Uma outra atividade é a produção de mel de abelha, em especial a da sub-região da Chapada do Araripe, que envolve o Piauí, Pernambuco e Ceará, também tem atraído a atenção de numerosos produtores. Vários arranjos produtivos com base na apicultura têm se desenvolvido com sucesso no semiárido nordestino, alguns conseguindo exportar sua produção, dado seu caráter de atividade orgânica, especialmente valorizada no exterior.
Enquanto o algodão sumia, a agricultura irrigada nos vales do sub médio São Francisco (Pernambuco e Bahia) e do Assu (Rio Grande do Norte) florescia. Perímetros irrigados em Sergipe, Bahia e norte de Minas também se destacam. A fruticultura é seu “carro-chefe” e avanços técnicos comandados pela Embrapa em muito têm ajudado à consolidação desta atividade no semiárido nordestino, sendo grande parte da sua produção voltada para mercados no exterior.
Enquanto o algodão sumia, a agricultura irrigada nos vales do sub médio São Francisco (Pernambuco e Bahia) e do Assu (Rio Grande do Norte) florescia. Perímetros irrigados em Sergipe, Bahia e norte de Minas também se destacam. A fruticultura é seu “carro-chefe” e avanços técnicos comandados pela Embrapa em muito têm ajudado à consolidação desta atividade no semiárido nordestino, sendo grande parte da sua produção voltada para mercados no exterior.
Algumas atividades industriais também marcam presença nas cidades do espaço semiárido, merecendo destaque a produção de calçados que buscou cidades médias do Nordeste com o patrocínio da “guerra fiscal” entre os Estados. Neste caso, se destacam o Ceará, a Paraíba e a Bahia.
A atividade de confecção marca forte presença em Fortaleza, mas bem estruturados – embora predominantemente informais – arranjos produtivos de confecção se firmaram na porção setentrional do agreste pernambucano e no seridó do Rio Grande do Norte. Ao mesmo tempo, a indústria de pequeno e médio porte voltada a produção de alimentos também vem ganhando espaço no semiárido nordestino.
A força da cultura sertaneja gera polos de artesanato importantes e com oferta regional diversificada (produção em couro, barro, madeira, de vestuário e alimentos), associada ou não ao turismo de eventos (como as festas juninas) e ao turismo religioso ou ecológico e rural.
Nos anos recentes, o comércio e os serviços das cidades do semiárido têm sido estimulados. Tal estímulo se deve aos impactos positivos das políticas sociais aliadas ao forte aumento do valor real do salário mínimo, ao aumento da oferta e democratização do crédito, junto com a ampliação do emprego formal – especialmente na construção civil, impulsionada pelas obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento – PAC- e pelo Programa “Minha Casa minha Vida”.
Por sua vez, a expansão da oferta de ensino médio e superior tem levado escolas e campi de Universidades para cidades do semiárido, com impactos importantes na vida econômica das cidades que as abrigam.
Quanto ao processo tecnológico, as técnicas de trabalho são primitivas e resistentes ao progresso, quando vindo de cima, isto é, quando o governo quer implantar tal tecnologia, sem uma consulta prévia, a quem vai utilizá-la. A resistência à entrada de novas tecnologias no semi-árido decorre de experiências passadas, que não deram certo e deixaram os agricultores com medo. Outro fator de resistência, ao recebimento de uma inovação tecnológica são os encargos sociais, que o governo federal impõe aos agricultores e isto os deixa com medo de perder suas poucas terras.
Resumindo, o Semiárido brasileiro apresenta uma elevada dependência dos recursos naturais e os mais baixos indicadores sociais do País. No tocante às atividades econômicas, ainda predominam os sistemas agrícolas explorando com baixa eficiência de produção, responsáveis por uma crescente degradação dos seus recursos naturais.
Entende-se que é possível encontrar os meios necessários ao progresso técnico da agricultura e promover maior eficiência da unidade de produção agrícola, a partir da organização dos fatores produtivos de que ela dispõe. Nessa perspectiva, não se trata somente de buscar o aumento da produção e da produtividade dos produtos cultivados, mas, principalmente, o sistema de produção que melhor se adapte a determinadas condições ecológicas e socioeconômicas.
Por: Graciele Mousinho Dias
Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Campina Grande - UFCG.
Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Campina Grande - UFCG.

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